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Minha vida até o transtorno e o estrago que ele faz parte 1

Nasci numa cidade chamada Magé, Rio de Janeiro. 
Fui adotada pela prima no meu pai que já tinha falecido( eu era ainda um bebê, então não o conheci). 
Era uma família bem conservadora, religiosa. Eram católicos praticantes.
Natuaral que eu fosse criada pra ser assim também. 
E fui por um bom tempo.
Acho que meus distúrbios começaram já na infância pois me lembro que ainda aos 11 anos, eu sofria de insônia, dores de cabeça altíssimas e constantes, enjoos, crises de choro e muitas vezes agressividade. 
Mas pra minha família eu era só uma menina meio problemática e malcriada.
Me lembro dos abusos sexuais que sofri aos 6, 8, 12 anos... por pessoas diferentes e eu nunca mencionei na época lógico. Tinha medo, por conta das pessoas que eram e o que elas  elas representavam principalmente na família.
Sofria torturas psicológicas, era bastante reprimida e deprecisada. Cresci na igreja, fazendo parte de grupos jovens e cantando em bandas. Era meu refúgio na época mas ainda assim me sentia reprimida. Aos 16 anos as coisas pareciam cada vez mais difíceis.  Relacionamentos abusivos de amizade, descobertas da minha sexualidade( na verdade já sabia que curtia também mulheres mas não queria nunca aceitar). Tudo foi muito intenso. 
Surtava direto e nessa época que comecei a auto mutilação.  Fica triste, me machucava, ficava frustrada , me machucava, ficava com raiva me machucava...
Minha família sempre alheia à tudo.
E eu sempre a filha louca que andava com pessoas loucas e não queria saber de nada. Mas a verdade era que eu vivia um conflito interno tão forte e tão intenso que parecia que eu morria e renascia a todo tempo. 
Lembro que o que me tirava um pouco desse mundo de dor e solidão era uma amiga pela qual me apaixonei. Eu tinha 16 anos, nunca tinha transado com ninguém, e não tinha um namorado. Nós simplesmente nos encantamos, nos apaixonamos uma pela outra e Tudo aconteceu gradativamente.  Foi lindo. E ficamos juntas por bastante tempo.
Era mais uma relação de amizade acima de tudo. Mas conflitante pra mim. Eu era possessiva, não dava crises de ciúmes mas interiorzava todo sentimento que alimentava. Medo de perder, insuficiência, raiva por achar que não recebia atenção suficiente, uma tristeza profunda por saber que ou achar que sabia que não era recíproco o sentimento. 
Foi uma época louca. Cresci com o pensamento de que iria pro inferno pois eu sentia que jamais deixaria de ser bissexual. Sofri muito mesmo por conta disso. Então resolvi me reprimir de vez e me afunde na religião até os 17 anos. Do nascimento aos 17.
Até que conversando com um padre, o questionei sobre a homossexualidade.  Obtive obviamente uma resposta cristã.  Que deus mais a agradava disso. E tantas outras coisas.
Eu pensei, porra cara , não é possível... É amor também, por que seria errado?
E fui levando isso pra frente, empurrando meus desejos e vontades em segredo. Eu ainda não tinha tido relações com homens.  Só beijos, amassos e tal.
Mas como tava firme na igreja resolvi ser casta. Passou o tempo E eu comecei perceber algo estranho.
Eu entrava na igreja e me sentia mal. A garganta parecia fechar, dava enjoo, tremedeira e vontade de sair correndo de lá. 
Cada dia que passava mais me sentia assim. As pessoas diziam que era o demônio tentando me afastar de deus. Eu me sentia tão culpada que sempre que podia me punia. 
Mas já tava ficando cansada de tudo aquilo. Comecei questionar a existência de um deus. Por anos fiz isso e cheguei às minhas conclusões.  Mas isso é papo pra outro momento.
Enfim... daqui a pouco término isso aqui.
Em breve a parte dois.

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Olá! Me chamo Cristiane da Câmara ( mas todo mundo me chama de Cris). Nasci em 3 de Março de 1980, portanto tenho 39 anos de idade. Ainda não sou formada em nada, mas tenho ainda um sonho e mais pra frente vocês irão saber. Moro em Santo André São Paulo, mas já rodei muito antes de chegar aqui. É história pra se contar tomando um café, sem se importar com a hora. Enfim, decidi voltar ( sim, voltar) para o blog, porque eu preciso. Na verdade necessito.  É a escrita que me move, são meus desabafos que me mantém sã.  Que ainda me mantém viva. Por isso voltei e vou usar novamente esse espaço pra eu falar sobre meu transtorno de personalidade limítrofe, minha extrema ansiedade, minha depressão, meus medos, meus desejos, minhas alegrias e tudo o mais que eu achar necessário.  Vocês podem ou não concordar com o que aqui vai ser descrito. Vcs podem até odiar. Mas sei que muitos irão se identificar e é exatamente ESSE o meu propósito.  Vai ser como uma troca de experiências, ...